domingo, 4 de maio de 2014

O melhor que tive


Sempre vejo, em reclamações e indiretas intermináveis, no mundo real ou virtual, milhares de pessoas falando mal do outro. Sim, aquele(a) outro(a) que um dia foi o “amor da minha vida”, “a paixão arrebatadora”, “ a pessoa sem qual não podia viver”. E é verdade que o amor tem uma face demoníaca quando é perturbado, maltratado, xingado e pisado, com ou sem motivos – muito embora sem motivos a situação seja ainda pior.

E observo, nessas fúrias repentinas, nesses novos inícios [de academia, de novos amores, de tentativas de dar a volta por cima] nada além de um pedido de reconciliação, de uma maneira de chamar a atenção do outro, e não do mundo, sobre uma dor que arrebata o corpo e a alma, que deixa a fome em segundo plano e o sono em desgrenhamentos de cabelo e de sonhos.

O que não vejo, e justificadamente explicado pela dor e pelo tempo que urge e leva as boas lembranças para um buraco negro dentro de tantas almas, é alguém dizer que o relacionamento foi tão bom que a única expressão que pode ser usada, depois de tantos ou tão poucos desentendimentos, é a raiva por uma interrupção em um sonho planejado, em uma vida a dois que se acaba. Uma interrupção que traz tanta saudade que somente gritando, praguejando, é que se pode declarar, em última instância, um amor que é posto a prova com o único ato antes inconcebível – a ida do ente amado para outros braços, outras bocas, novas paragens.

O que resta são cartas, presentes, lembranças, perfumes e desejo. O que resta é aceitar a realidade e dizer: Foi minha (meu) melhor namorada(o) – ou noiva(o) ou o que tenha sido” ou  “foi a pior coisa que me aconteceu, e foi inesquecível enquanto durou”.
E não se iluda, a amizade? A cumplicidade? Acabou. Tudo pode recomeçar, mas serão outras pessoas, outras mentes, outros sentimentos. Nada será como antes. E pode dar certo, quem disse que ex’s estão fadados ao fracasso juntos novamente?

A questão é tão somente aceitar a revolta e sair em busca do melhor, aceitando o que foi bom. Observando o futuro.

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